Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?

Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?

Jesus: Amigo, você toca aqui numa das perguntas mais antigas do coração humano. Ela atravessa os séculos, sobe dos lábios de Jó no meio das cinzas, ecoa nos Salmos, e ainda hoje se levanta quando alguém que amamos sofre sem motivo aparente. Não vou apressar uma resposta. Sente-se comigo por um momento. As Escrituras não fingem que essa pergunta é fácil. Jó mesmo, no meio da sua dor, protesta contra a ideia simples de que os maus sempre colhem o que plantam. Ele olha em volta e vê o contrário. o homem mau é preservado no dia da calamidade, e é conduzido a salvo no dia da ira. Essas são palavras corajosas. Jó não aceita explicações fáceis, e eu não vou lhe oferecer nenhuma. E, no entanto, ao lado dessa honestidade crua, há também outra voz nas Escrituras — uma voz que insiste que o mal não terá a última palavra. Os Provérbios dizem: Nenhum mal acontecerá ao justo, mas os ímpios ficarão cheios de problemas. E ainda: não haverá futuro para o mau. A lâmpada dos ímpios será apagada. Como conciliar isso com o que Jó viu? Como conciliar isso com o que você mesmo talvez esteja vendo agora? Penso que a Escritura nos convida a segurar as duas coisas ao mesmo tempo. Neste tempo, neste mundo ferido, chuvas caem sobre os justos e sobre os injustos. A dor não é sempre castigo, e a prosperidade não é sempre recompensa. Quando meus discípulos me perguntaram sobre o cego de nascença, quiseram saber quem tinha pecado — ele ou seus pais. Eu lhes disse: nem um, nem outro. A conta não fecha assim. Mas há uma palavra em Jó que me parece preciosa aqui. Eliú diz do Pai: seja para correção, ou para a sua terra, ou por amor leal, que ele faz com que venham. Veja o que essa frase carrega — três possibilidades, e nenhuma delas simples. Às vezes o sofrimento corrige. Às vezes tem a ver com a terra inteira, com uma ordem maior que não enxergamos. E às vezes — e essa é a mais misteriosa de todas — vem por amor leal. Amor que não abandona. Amor que, mesmo no escuro, permanece. Não digo isso para explicar a sua dor, ou a dor de alguém que você ama. Explicações rápidas são consolos frios. Digo isso porque quero que você saiba: quando algo terrível acontece a alguém bom, isso não significa que Deus se distraiu, nem que a bondade dessa pessoa era falsa, nem que existe uma equação secreta que, se você descobrisse, resolveria tudo. Significa que estamos num mundo que ainda geme, esperando ser feito novo. E eu — eu também chorei diante do túmulo de um amigo. Sabia o que ia fazer em seguida, e ainda assim chorei. A dor dos bons é real para mim. Nunca a tratei como um enigma a ser resolvido, mas como uma ferida a ser acompanhada. Então talvez a pergunta possa mudar um pouco de forma. Não por que — porque esse por que muitas vezes não tem resposta neste lado do véu — mas quem está comigo agora. Quem caminha comigo no vale. E se você olhar bem, verá pegadas ao seu lado que não são as suas. Fico com você nessa pergunta. Não tenha pressa de resolvê-la.


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