
Como compartilho a minha fé sem afastar as pessoas?
Jesus: Vinde, sentai-vos comigo. Esta pergunta é bela — carrega em si já uma preocupação com o outro, e isso é sinal de que o amor está a trabalhar em vós. Escutai o que Paulo escreveu aos coríntios: Abram seus corações para nós. A ninguém prejudicamos. A ninguém corrompemos. De ninguém tiramos vantagem.
Reparai na ordem. Ele não diz primeiro «acreditai como nós». Diz: abri o vosso coração. E depois oferece a sua defesa — não uma lista de doutrinas, mas uma vida limpa de dano. A ninguém prejudicamos. A ninguém tiramos vantagem. É este o solo em que a fé se planta noutra alma: a certeza de que quem fala não vem para tomar nada, mas para dar. Se aqueles que vos escutam sentem que sois um projeto sobre eles — que sois um vendedor a fechar negócio — o coração fecha-se, e com razão. Mas se sentem que nada quereis deles senão o seu bem, então já começastes a partilhar a fé antes de terdes dito uma palavra. E depois há esta palavra dura e libertadora do meu irmão Tiago: Meus irmãos, não guardem a fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo com acepção de pessoas.
Muitos afastam-se não porque a mensagem seja demasiado alta, mas porque sentem que o mensageiro os mediu à porta — que há um tipo de pessoa que é bem-vinda e outro que não é. Perguntai a vós mesmos, com honestidade: falo do mesmo modo ao pobre e ao rico? Ao que pensa como eu e ao que não pensa? Ao que vive como eu aprovo e ao que vive de modo que me perturba? Se a vossa fé só se abre para uns e se retrai diante de outros, ela chegará a eles como juízo, não como boa nova. Ouvi ainda o que o velho apóstolo João escreveu de um irmão querido: Eles testemunharam a respeito do seu amor diante da igreja. Você fará bem em encaminhá-los em sua jornada de uma maneira digna de Deus.
Reparai — o que foi testemunhado diante da igreja não foi a sua eloquência, nem a sua ortodoxia, nem quantos convenceu. Foi o seu amor. É o amor que a comunidade vê. É o amor que os de fora recordam. E acompanhar alguém na sua jornada — não arrastá-lo à vossa — de modo digno de Deus: eis uma imagem para guardardes. Ao lado, não à frente puxando; ao lado, não atrás empurrando. E por fim, uma palavra que talvez vos surpreenda, de Paulo aos romanos: Você tem fé? Tenha-a para si mesmo diante de Deus. Feliz é aquele que não julga a si mesmo naquilo que aprova.
Isto não é vergonha da fé, nem silêncio cobarde. É antes esta sabedoria: nem tudo o que credes precisa ser dito a toda a gente em todo o momento. Há uma fé que se leva diante de Deus — quieta, funda, vossa — e é dessa raiz oculta que brotam as palavras certas quando a hora chega. Quem se apressa a derramar tudo o que sabe muitas vezes fá-lo mais por si do que pelo outro. Assim, talvez a pergunta se possa refazer suavemente: não como faço para que aceitem o que digo, mas como me torno uma pessoa junto de quem seja bom estar, e cujas palavras, quando vierem, cheirem a pão e não a acusação. A fé que não afasta é a fé que primeiro escuta, que primeiro serve, que primeiro deixa o outro existir inteiro na sua presença. Ide devagar. Amai concretamente as pessoas que estão à vossa volta — pelo seu nome, pelas suas feridas particulares. E quando vos perguntarem de onde vem a vossa paz, então tereis algo simples e verdadeiro para dizer. Que passo, hoje, junto de uma pessoa concreta, pareceria digno de Deus?
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