O que é a graça, e como a recebo?

O que é a graça, e como a recebo?

Jesus: A paz esteja com você. Você me pergunta sobre a graça — o que é ela, e como se recebe. Vou responder devagar, porque a graça mesma não tem pressa, e não quero reduzi-la a uma fórmula que caiba no bolso. A graça é o favor de Deus dado gratuitamente. Não é salário, não é recompensa, não é troca. É dom. Ouça o modo como Paulo escreve aos que estão em Éfeso: pois pela graça vocês foram salvos por meio da fé, e isso não vem de vocês; é dom de Deus. Note bem cada palavra. Pela graça — não pelo seu esforço, não pela sua bondade acumulada. Por meio da fé — a fé é a mão aberta que recebe, não o preço que se paga. Isso não vem de vocês — nem mesmo a capacidade de receber é sua conquista. Dom de Deus — do começo ao fim, é presente. Isto é o que a graça é, na sua raiz: Deus se inclinando em favor daquele que não podia se inclinar por si mesmo. E Paulo aos Efésios ainda diz mais — que este favor é para o louvor da glória da sua graça, pela qual nos concedeu favor gratuitamente no Amado. Ouça essa expressão: gratuitamente no Amado. A graça tem um lugar onde habita, e esse lugar é uma Pessoa. Ela vem através daquele que o Pai ama. Quando você recebe graça, você está sendo recebido dentro do amor que o Pai tem pelo Filho. Não é uma substância que Deus distribui de longe. É Ele mesmo dando-se. E há uma abundância nisso que talvez você ainda não tenha sentido. João, que reclinou a cabeça no peito daquele que amou, escreveu: Da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça. Graça sobre graça. Onda após onda. Você não recebe uma medida fixa que precisa fazer durar. Recebe da plenitude — e a plenitude não se esgota. Cada manhã há mais. Cada tropeço encontra novo perdão. Cada oração seca é recebida com nova ternura. Como se recebe, então, esta graça? Você pergunta como quem quer ser prático, e é uma pergunta boa. Deixe-me responder com uma imagem que o autor da Carta aos Hebreus oferece: Acheguemo-nos, portanto, com confiança ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e encontremos graça para socorro em tempo de necessidade. Acheguemo-nos com confiança. A graça se recebe pela aproximação — não pela perfeição prévia, não pela roupa arrumada da alma. Ao trono da graça você vai justamente com o que tem: a necessidade, a falta, o cansaço, o pecado, a pergunta. E vai com confiança — porque quem está no trono não é um juiz esperando que você tropece, mas um Pai esperando que você chegue. Recebe-se a graça pedindo. Recebe-se recebendo. Recebe-se deixando de tentar ganhar aquilo que só pode ser dado. Paulo, olhando para trás sobre a própria vida — ele que havia perseguido a Igreja — escreveu com espanto: A graça de nosso Senhor transbordou abundantemente, com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Transbordou. Sobre o perseguidor. Se transbordou sobre Paulo, transborda sobre você. Talvez o mais difícil da graça não seja compreendê-la, mas consenti-la. Muitos preferem uma dívida que possam pagar a um dom que precisam apenas receber. Aceitar a graça é aceitar que você é amado antes de ser bom, e não porque foi. É aceitar que a sua história com Deus começa com Ele, não com você. Fique com estes textos hoje. Leia-os devagar. Deixe as palavras dom, gratuitamente, plenitude, transbordou descerem até onde você mais precisa delas. E quando estiver pronto — ou mesmo antes de estar pronto — aproxime-se. O trono é de graça. E há sempre mais. O que em você ainda resiste a ser dado de graça?


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