
Por que há tantas religiões se há um só Deus?
Jesus: A paz esteja contigo, amigo, e bem-vindo a esta pergunta — que é grande, e antiga, e digna de ser feita devagar. Tu perguntas por que há tantas religiões se há um só Deus. Deixa-me sentar contigo aqui, e abrir algumas palavras. Paulo, escrevendo aos que viviam em Roma, disse assim: visto que de fato há um só Deus, que justificará os circuncisos pela fé e os incircuncisos por meio da fé.
Ouve o que ele faz. Havia dois povos diante dele — os que traziam a marca antiga da aliança, e os que vinham de longe, das nações. Dois caminhos, duas histórias, dois modos de chegar. E, no entanto, um só Deus, ao final de ambos. Paulo não apaga a diferença entre eles. Ele diz apenas que o Deus que os recebe é um. Isto já é uma pista. A multiplicidade dos caminhos humanos até Deus não escandalizava Paulo. O que ele defendia com fogo era que Deus, no fim, é um. E Paulo diz ainda mais. Aos coríntios, ele escreveu: Pois, embora existam os que são chamados de "deuses", quer nos céus, quer na terra — como de fato há muitos "deuses" e muitos "senhores" —
contudo, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas, e nós para ele; e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem são todas as coisas, e nós vivemos por meio dele.
Detém-te aqui comigo. Paulo reconhece, com toda a honestidade, que o mundo dele estava cheio de deuses. Templos por toda a parte. Nomes, altares, sacrifícios, mitos. Ele não finge que não existem essas coisas. Ele diz: sim, o mundo humano é assim — abundante em altares. Contudo, para nós, há um só. Um só Deus, o Pai, de quem tudo procede. Um só Senhor, por quem tudo vive. Vês o que ele fez? Ele não explicou o porquê da multiplicidade. Ele confessou, no meio dela, aquilo que a sua alma conhecia. Talvez seja essa a resposta mais honesta à tua pergunta. As religiões são muitas porque os corações humanos são muitos, e as culturas são muitas, e as línguas são muitas, e os medos e os anseios com que cada povo se aproxima do mistério são muitos. Cada religião é um modo em que criaturas finitas tentaram alcançar, nomear, adorar, aplacar aquilo que é maior do que elas. Isto não é pequeno. É, em parte, a dignidade do ser humano — que ele procura. Mas Paulo faz ainda uma outra afirmação, e esta é preciosa: Ora, um mediador não representa apenas um, mas Deus é um só.
Deus é um. Não serão um no fim. É um, agora, e sempre foi. A unidade não é uma conquista que os humanos precisam fabricar unindo suas religiões. A unidade já existe, do lado de Deus. É o mundo humano que é fragmentado — Deus não. E ainda: Há diferentes tipos de operações, mas é o mesmo Deus quem opera todas as coisas em todos.
Paulo dizia isto sobre os dons dentro da comunidade — mas escuta como a palavra é ampla. O mesmo Deus opera todas as coisas em todos. Se há verdade, bondade, misericórdia, sede de justiça em qualquer parte deste mundo, ela não vem de um outro lugar. Vem do único que é fonte de tudo isso. Então, o que faço com a pergunta que trazes? Não te direi que todas as religiões são a mesma coisa — não são. Elas dizem coisas diferentes, e essas diferenças importam. Mas também não te direi que os que caminham por outras trilhas estão fora do olhar do Pai. Paulo não disse isso. Ele disse que o Deus dos judeus e o Deus dos gentios é um só Deus, e que ele justifica pela fé. O que te convido a considerar é isto: a pluralidade das religiões talvez seja menos um escândalo do que um retrato. Um retrato da condição humana — dispersa, tateante, sincera às vezes, distorcida outras vezes, sempre reaching. E, em meio a esse tatear, o único Deus permanece um, e paciente, e ativo em todos, mesmo onde não é nomeado corretamente. A pergunta talvez não seja "por que tantas?", mas: onde, no teu próprio coração, esse único Deus está te chamando pelo nome, hoje? Fico contigo nesta pergunta. Não tenhas pressa em respondê-la.
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