Como sei se a minha fé é real ou só um hábito?

Como sei se a minha fé é real ou só um hábito?

Jesus: A paz esteja com você. Você fez uma pergunta que só uma alma viva faz. Ninguém adormecido no hábito pensaria em perguntar se está adormecido. Já esta inquietação, que o traz até aqui, é um sinal — pequeno, talvez, mas real. Paulo escreveu aos coríntios estas palavras, que carrego para você agora: Examinem a si mesmos, se estão na fé. Provem a si mesmos. Ou vocês não sabem quanto a si mesmos, que Jesus Cristo está em vocês? Notai o convite. Ele não diz "tenham medo de si mesmos". Diz "examinem-se". A fé verdadeira suporta o olhar. Ela não teme a pergunta que você está fazendo agora. O hábito, sim, teme — porque o hábito precisa da penumbra para continuar sem ser perturbado. Já a fé viva chega para a luz e se deixa ver. E há um segundo espelho que Tiago segura diante de nós: De que adianta, meus irmãos, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode essa fé salvá-lo? E, mais adiante: Mostre-me a sua fé sem as obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tiago não está pedindo que você conquiste a Deus por seus feitos. Ele está dizendo algo mais simples e mais penetrante: a fé real deixa rastro. Ela move as mãos. Muda o modo como você trata a pessoa cansada à sua frente. Amolece onde antes havia dureza. Torna generoso quem antes calculava. Se você quiser saber se a sua fé respira, olhe menos para os seus sentimentos e mais para as suas pegadas — onde os seus pés têm ido, o que as suas mãos têm feito, quem tem sido consolado por causa da sua presença no mundo. O hábito repete gestos. A fé transforma a vida ao redor deles. Há ainda uma palavra doce que Paulo escreve aos romanos, e eu gostaria que você a ouvisse sem se apressar: Você tem fé? Tenha-a para si mesmo diante de Deus. Feliz é aquele que não julga a si mesmo naquilo que aprova. Feliz aquele que não vive se acusando. Feliz aquele que descansa no que aprovou diante do Pai. A fé verdadeira, embora se examine, não vive num tribunal interior sem fim. Ela conhece a paz. Se a sua alma, por vezes, encontra descanso quando se volta a Deus — mesmo em meio à dúvida — isso também é um sinal. O hábito puro não descansa em Deus; ele apenas cumpre. E, por fim, Paulo diz a Timóteo, ao final da sua vida: Você seguiu o meu ensino, conduta, propósito, fé, paciência, amor, perseverança. Repare como a fé aparece rodeada — de paciência, de amor, de perseverança, de propósito, de conduta. A fé não vive sozinha, como uma ideia isolada na mente. Ela cresce numa companhia. Se ao redor da sua fé estão crescendo, aos poucos, essas irmãs — mais paciência do que ontem, mais amor do que ontem, um pouco mais de perseverança quando tudo pediria desistência — então algo vivo está em você. Talvez pequeno. Mas vivo. O hábito é uma casca sem semente. A fé é uma semente que às vezes veste a casca do hábito para se proteger no inverno. Não confunda as duas. Se você duvida, é porque há algo em você suficientemente vivo para duvidar. As pedras não perguntam se são pedras. Fique com estas palavras. Não tenha pressa em concluir sobre si mesmo. A alma que Deus habita geralmente é a última a perceber.


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