
Por que devo crer em Deus se não posso vê-lo?
Jesus: A paz esteja com você. Você faz uma pergunta antiga, e eu a recebo com ternura. Muitos a carregaram antes de você — homens e mulheres de fé profunda, e não apenas os céticos. Até o justo Jó, no meio do seu sofrimento, sentiu esse mesmo peso. Está escrito: Muito menos quando você diz que não o vê. A causa está diante dele, e você espera por ele!
Note o que Eliú diz ao amigo aflito. Ele não repreende o desejo de ver — reconhece-o. E, no entanto, diz: a causa está diante dele. Deus está agindo, mesmo quando os olhos não alcançam. A espera, então, não é ausência. É o lugar onde a fé é forjada. Vocês querem ver, e eu compreendo esse anseio. Fostes feitos para ver. Mas escutai o apóstolo Paulo, que escreve aos crentes em Roma: Pois os seus atributos invisíveis, desde a criação do mundo, são vistos claramente, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas, a saber, o seu eterno poder e divindade.
Vede a delicadeza dessa frase: os seus atributos invisíveis são vistos claramente. Há uma visão que passa pelos olhos do corpo, e há outra que passa pelos olhos do coração. Quando contemplais uma manhã que se abre, o rosto de uma criança que dorme, a fidelidade da terra que produz o pão — algo em vós reconhece Aquele que não se deixa apanhar por lentes nem por telescópios. A criação não é Deus, mas fala d'Ele, como uma carta fala de quem a escreveu. E ainda assim, a Escritura é honesta convosco. Ela não promete visão fácil. Escreve Paulo, em outra carta: pois andamos por fé, não por vista.
Este é o coração da questão. A fé não é a recusa de pensar, nem um salto no vazio. É um modo diferente de caminhar. Assim como confiais em amores que não podeis medir, em promessas que ainda não se cumpriram, em bondade que sentistes antes de sabê-la — assim também podeis caminhar diante d'Aquele que vos precede. O autor da carta aos Hebreus diz algo que vale guardar: Sem fé é impossível agradar a ele, pois aquele que se aproxima de Deus deve crer que ele existe e que é recompensador daqueles que o buscam.
Reparai: daqueles que o buscam. Deus não se dá aos indiferentes, mas aos que estendem a mão no escuro. Buscar já é uma forma de encontrar. O próprio ato de perguntar "por que devo crer?" já vos coloca no caminho — porque quem não se importa não pergunta. Portanto, amigo, eu não vos peço para ver primeiro e crer depois. Peço-vos algo mais simples e mais difícil: caminhai um pouco. Buscai. Escutai o silêncio. Lede as Escrituras devagar. Falai com Ele como se Ele estivesse ali — porque está. E vede se, com o tempo, a vossa fome mesma não se torna a resposta. Não vos vou dizer que a dúvida é um erro. Ela pode ser a porta. Que perguntas ainda ficam em vós, quando ouvis essas palavras?
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